sábado, 3 de setembro de 2011

No Chile, a educação depende de quanto você pode pagar

Após a ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990), o governo da coalizão socialista Concertación propôs à população chilena um acordo tácito: vocês aceitam o modelo educacional em curso e postergam suas demandas, e nós garantimos, por meio do ensino, que seus filhos tenham uma vida melhor. Os chilenos concordaram, o que colaborou para que a porcentagem de estudantes que chegam à universidade alcançasse um dos níveis mais altos do mundo - saltando de míseros 4% ou 5% para os atuais 40%. Um quadro inegavelmente melhor, já que os pais de pelo menos 70% desses jovens não têm ensino superior completo. "Em compensação, eles precisaram pagar muito para ver seus filhos estudarem. Sua dívida com o estado é muito cara", salienta o professor Joaquín Fermandois, do departamento de História da Universidade Católica do Chile. Sim, o crescimento significativo desse índice, apontado pelo Programa de Avaliação Internacional do Estudante (Pisa, na sigla em inglês), promovido pela OECD, não foi de graça. Para vê-los graduados, os responsáveis por esses alunos obedeceram passivamente às condições de crédito que estavam por trás da proposta feita pelo governo. E, até agora, não tiveram uma recompensa concreta.

As manifestações que vimos nas últimas semanas – e que se acalmaram nos últimos dias, devendo continuar assim até o diálogo com o presidente Sebastian Piñera no sábado – nada mais são do que resultado daquele modelo educacional imposto pela ditadura de Pinochet, mantido pelo regime socialista por mais de 20 anos e, agora, prolongado também pelo atual governo. Esse sistema segue a linha ultraliberal implementada na economia nos anos 1980 sob a tutela do americano Milton Friedman, fundador da Escola de Chicago. Com ele, o ensino se transformou em mais um produto de mercado da livre concorrência - o que pode dar certo em grandes economias, mas tende a ser frustrante em países em desenvolvimento, como o Chile. À época, a importância da educação foi exaltada para convencer a população a desembolsar altas quantias em dinheiro. O governo defendia que os benefícios compensariam o alto custo e que reformas profundas e mudanças estruturais deveriam ser deixadas de lado. Afinal, a educação era prioridade, diziam.

Então, as escolas do país foram separadas em três grupos: as públicas, que foram municipalizadas; as privadas subsidiadas, cujos alunos recebiam "abonos" do governo; e as totalmente particulares, pagas com dinheiro da família. Essa divisão levou o Chile a dois cenários de educação totalmente paradoxos: de um lado, há escolas exemplares e reconhecidas internacionalmente - as particulares -, e de outro, instituições de péssima qualidade - as públicas e as subsidiadas. "O ensino público é completamente segmentado de acordo com a classe social", enfatiza Sebastian Vielmas, secretário-geral da Federação dos Estudantes da Universidade Católica (Feuc), que participa do movimento estudantil. E se a educação no país, ainda de acordo com o Pisa, é a menos pior da América Latina (com exceção do México), isso ocorre muito mais por demérito das nações em comparação - como o Brasil, por exemplo - do que por mérito do próprio Chile, apesar das faculdades com qualidade elevada melhorarem o índice das ruins.

Frustrações - Para os brasileiros, a situação do ensino chileno não é novidade. Aqui e lá o que se vê é a repetição do quadro de desigualdade presente em todo o continente, onde a renda familiar é o que determina a qualidade de ensino que crianças e jovens irão receber. Por isso, os alunos de escolas privadas alcançam resultados invejáveis, enquanto seus colegas das escolas municipais não atingem os níveis mínimos de aprendizado. O professor Joaquín Fermandois ressalva, porém, que as questões relacionadas à municipalidade e à má qualidade dos professores do sistema público também são semelhantes em países da Europa, como França e Alemanha. "A educação massiva tem problemas que são similares em toda parte do mundo. O que torna o modelo chileno mais grave é mesmo sistema de 'abonos'", destaca.

Uma pesquisa do Pisa feita com alunos chilenos da 5ª série do ensino fundamental comprova que os que estudam em escolas particulares - e, portanto, pertencem a famílias mais ricas - têm um desempenho 35% melhor do que os mais pobres, do mesmo ano, que estudam em instituições públicas. Isso acontece porque os "abonos" dados pelo estado às escolas públicas são de apenas 100 dólares (cerca de 160 reais) por mês, o que representa apenas um décimo das taxas cobradas pelas escolas privadas. O presidente Sebastian Piñera chegou a apresentar em dezembro de 2010 uma proposta de reforma educacional que previa aumentar esses valores, mas ainda não foi tomado nenhum passo prático nessa direção.

Para Fernandois, a solução passa longe da utópica gratuidade total da educação exigida pelos manifestantes. Ele defende que o sistema continue misto, com financiamento público e privado, mas com algumas transformações que possibilitem amenizar essas disparidades. "Uma possibilidade é dar àqueles que não têm meios a possibilidade de pagarem suas dívidas com prestações sociais. Outra, é fazer um intercâmbio de professores, para que os melhores passem alguns anos em escolas públicas", sugere. Propostas existem, mas é preciso real vontade de mudar uma realidade que se arrasta há decadas e leva com ela o bem-estar da população - que é obrigada a escolher, muitas vezes, entre seu sustento e sua educação. FONTE: VEJA ONLINE

PT aprova texto-base que pede controle da imprensa

Os delegados do PT aprovaram neste sábado o texto-base de uma resolução que pede controle sobre os meios de comunicação, ataca os partidos oposicionistas e sugere que "entraves" à implementação do projeto petista sejam resolvidos por consultas populares.

O documento ainda pode sofrer alterações até este domingo, já que os militantes discutirão emendas à proposta. Mas as teses centrais devem ser preservadas. Uma delas sustenta que os meios de comunicação conspiram contra a legenda e devem estar submetidos a um controle externo.

A resolução deixa claro o rancor que alimenta a ofensiva petista contra o que chama de "mídia": "O jornalismo marrom de certos veículos, que às vezes chega a práticas ilegais, deve ser responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar", diz a proposta. 

Dispositivo chavista - O documento, que tem ao todo 116 itens, trata de temas como a queda na taxa de juros e a reforma política. Um dos dispositivos soa uma cópia do modelo implementado por Hugo Chavez na Venezuela: "Entraves às reformas democráticas e populares poderão muitas vezes ser enfrentados através da consulta popular sobre temas de interesse nacional, solicitados pelo partido e seus aliados no Congresso e nos movimentos sociais".

No universo petista, os partidos da enfraquecida oposição não são apenas adversários políticos. DEM, PPS e PSDB representam, de acordo com a resolução, legendas "que atacam, sem cessar, as conquistas dos direitos históricos do povo brasileiro".

O documento lista ainda aquelas que devem ser a prioridade do partido num horizonte próximo: "A reforma do estado; a participação popular; o combate à corrupção e reforma administrativa; a regulação dos meios de comunicação; nova regulamentação do capital financeiro; a reforma tributária; o contrato coletivo, a organização no local de trabalho e o fim do imposto sindical; as cotas raciais; a reforma agrária". FONTE: VEJA ONLINE

Gripe, dengue e até aids: nova droga promete curar praticamente todas as infecções virais

Poucos medicamentos funcionam contra os vírus. Os antivirais têm uma ação mais limitada do que antibióticos e antifúngicos e não agem sobre todos os tipos de infecções. Na maioria das vezes, limitam-se a impedir que os vírus consigam se reproduzir. Mas pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, acreditam ter dado um passo além: eles criaram uma droga, DRACO (sigla para Double-stranded RNA Activated Caspase Oligomerizers), capaz de identificar as células infectadas e matá-las, dando fim à infecção. A pesquisa, publicada no periódico científico especializado PLoS One, pode representar o fim de doenças como a gripe, dengue, hepatite C e até da aids.

Os pesquisadores testaram a droga em culturas de células de humanos e ratos infestadas por quinze tipos de viroses. A abordagem se mostrou eficaz em todos os casos — incluindo os altamente resistentes rinovírus (responsáveis por resfriados), influenza H1N1, vírus da pólio, vírus da dengue e outros tipos responsáveis por perigosas febres hemorrágicas. A equipe também conduziu testes com camundongos e obteve sucesso.

"Para os primeiros ensaios com animais, desejávamos escolher um vírus comum em humanos que seria letal em camundongos, por isso usamos o influenza H1N1", explica o cientista Todd Rider, do Laboratório Lincoln, do MIT, responsável pelo trabalho. "Demonstramos que a DRACO pode curar ratos que receberam uma dose letal de influenza e agora estamos testando outras viroses com bons resultados. A DRACO deve também funcionar contra o HIV e o vírus da hepatite, mas estamos fazendo mais testes para demonstrar isso."

ResistênciaAntibióticos agem interferindo em processos que impedem as bactérias de se reproduzirem, mas não matam as células humanas. Em infecções virais, no entanto, essa tarefa é muito difícil: vírus se multiplicam injetando seu material genético dentro das células hospedeiras. A única forma de lutar contra eles é impedir a ação de algumas proteínas que estimulam o processo, na maioria das vezes causando a morte da célula infectada. Nem sempre, no entanto, drogas conseguem 'localizar' as células com material genético viral antes que a infecção se espalhe. Além disso, vírus podem sofrer mutações com grande frequência, aumentando sua resistência aos medicamentos. 

"Há poucos medicamentos antivirais no momento, e os que existem geralmente se ligam a uma parte específica do vírus para bloqueá-lo", diz Rider. O pesquisador explica que, como esses medicamentos existentes são feitos 'sob medida', basta que o vírus sofra ligeiras mutações para se tornar resistente à droga.

AlvoPara superar o problema, a equipe do MIT usou como alvo algo comum a todos os vírus que atacam células humanas: uma fita dupla de RNA (dsRNA — veja o glossário), constituído pelo material genético do agente infeccioso que será copiado em ambiente intracelular para a produção de um novo vírus. "A droga provoca a morte imediata de qualquer célula infectada que contenha o dsRNA viral, então deve ser bem mais difícil para o vírus ganhar resistência à droga", afirma Rider. 

Geralmente, algumas proteínas do corpo disparam mecanismos de alerta tão logo o processo de replicação viral seja identificado pelo organismo. Isso aciona o sistema imunológico. Contudo, nem sempre a resposta do corpo é ágil o suficiente para matar a célula infectada antes que novos vírus, replicados, infestem outras células. Para tornar o contra-ataque mais eficaz, os pesquisadores combinaram uma proteína que se liga ao dsRNA com outra proteína que induz rapidamente um processo conhecido como apoptose, a autodestruição da célula. Resultado: o código genético viral não é passado adiante. "Isso evita que o vírus se espalhe, causando menos mortes celulares do que a infecção", diz Rider.
 
Os experimentos realizados mostraram que a nova droga não é tóxica em onze diferentes tipos de células – incluindo células humanas do coração, rins, pulmão, fígado e coração e de ratos. Não encontrando infecção viral ao penetrar na célula do corpo, o medicamento não age. Entretanto, se encontrar o dsRNA do vírus, imediatamente leva ao "suicídio" da célula infectada. 

Embora promissora, a abordagem ainda passará por inúmeros testes. "São necessários muitos anos para a realização de ensaios animais antes que testes com humanos comecem. Continuamos os experimentos com ratos e esperamos licenciar esta tecnologia com companhias farmacêuticas que possam conduzir ensaios com animais maiores, incluindo macacos. Se a droga for segura e eficaz em todos os animais dos ensaios, empresas farmacêuticas conduzirão testes clínicos com pessoas."

Ricardo Diaz, professor associado do Departamento de Infectologia da Escola Paulista de Medicina, é cauteloso ao avaliar a extensão das aplicações da nova droga. "O que esse novo trabalho fez foi desenvolver uma estratégia que detecta e ao mesmo tempo ativa a caspase – que é a enzima responsável por acionar o mecanismo de apoptose, e isso é genial", diz ele. "Mas em alguns casos, essa abordagem pode ser um pouco mais complicada: por exemplo, muitas células infectadas pelo HIV (vírus da aids) entram em latência, e isso impediria a detecção do vírus por esta estratégia." FONTE: VEJA ONLINE
 

Francês é condenado por não ter relações sexuais com sua mulher

Um homem de Nice, no sudeste da França, foi condenado a pagar a sua mulher uma indenização de 10 mil euros (cerca de R$ 23,2 mil ) ao término de um processo de divórcio por não haver mantido relações sexuais com ela durante anos, publicou neste sábado o jornal "Le Parisien".

A sentença condenou este homem, agora com 51 anos e de quem o periódico deu apenas o nome e a inicial do sobrenome, Jean-Louis G., por "ausência de relações sexuais durante vários anos".

O tribunal não aceitou suas alegações no sentido que "as relações simplesmente tinham se espaçado com a passagem do tempo", tinha "problemas de saúde" e sofria de "uma fadiga crônica gerada pelos horários de trabalho".

"Jean-Louis G. não justificou os problemas de saúde que o faziam totalmente incapaz de ter relações íntimas com sua esposa", responderam os juízes na sentença.

A esposa, por sua parte, tinha insistido que a ausência de sexo entre ambos estava na origem de sua separação, e que isso mesmo tinha contribuído em grande medida à deterioração da relação do casal, o que foi referendado no veredicto a seu favor.

A mulher não quantificou com que frequência gostaria de manter relações, ressaltou o "Le Parisien", que lembrou também que a lei francesa não oferece detalhes sobre esse aspecto, o que deixa a apreciação do caso nas mãos dos juízes. FONTE: EFE

A ciência por trás de 'Planeta dos Macacos — A Origem'

A disparidade entre a ciência mostrada no cinema e a ciência real costuma ser enorme. Mas há filmes que, se não são inteiramente ‘cientificamente corretos’, usam pesquisas e conceitos reais com certa verossimilhança. É o caso de Planeta dos Macacos — A Origem, feitas, é claro, as várias e devidas ressalvas.

Não é segredo que os símios do filme ficam mais inteligentes. Uma pesquisa conduzida com o intuito de curar a doença de Alzheimer, usando um vírus, faz com que sejam criadas novas sinapses, conexões entre os neurônios. Este é o primeiro ponto do filme em que, apesar de partir de uma premissa interessante - o fato de não hevar hoje remédio capaz de curar o Alzheimer -, o resultado final é fantasioso.

"O foco dos remédios pesquisados atualmente é inibir ou degradar a proteína beta-amiloide", explica David Schlesinger, pesquisador no Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein. A proteína beta-amiloide se acumula no cérebro e prejudica a transmissão de informações entre os neurônios, prejudicando a memória e outras funções cognitivas. 

Sem energiaO medicamento mostrado no filme aumentaria as sinapses dos pacientes, mas aqui há mais problemas. "A doença de Alzheimer não é causada por um problema de sinapses", diz Schlesinger. "Então, o remédio não adiantaria nada." Sem contar que aumentar o número de sinapses seria inviável, segundo a neurocientista Suzana Herculano-Houzel. "Existe um número máximo de sinapses por quantidade de tecido cerebral", diz Suzana.
O problema do aumento hipotético das sinapses seria o consequente aumento do consumo de energia pelo cérebro. Embora represente apenas 2% do peso corporal, o cérebro consome 25% da energia produzida pelo corpo. Um aumento do número de sinapses seria inviável energeticamente.

Quanto ao uso de um vírus, os roteiristas acertaram por tabela. Foi anunciada, na semana passada, uma pesquisa que pela primeira utiliza vírus modificados geneticamente para combater células cancerosas. A aplicação de remédios assim no cérebro seria, no entanto, extremamente complicada. “É muito difícil controlar onde e quando os vírus atuam”, afirma Schlesinger.

Planeta dos camundongos Talvez o principal problema do filme seja que, embora os macacos sejam usados em várias pesquisas médicas, inclusive neurológicas, não são usados no teste de medicamentos contra o Alzheimer. 

Para este fim, embora não constituam o que os cientistas chamam de "modelo ideal" (organismo usado para replicar as reações que os seres humanos teriam a uma determinada substância), são utilizados camundongos alterados geneticamente para desenvolver Alzheimer.

Os camundongos, aliás, foram os únicos animais modificados geneticamente para ganhar supercérebros. Uma pesquisa realizada pelos pesquisadores Anjen Chenn e Christopher Walsh em 2002 modificou a produção de uma proteína que fez com os camundongos desenvolvessem cérebros maiores que o normal. A pesquisa tinha como objetivo estudar os mecanismos da neurogênese, nascimento de novos neurônios, e foi bem sucedida neste aspecto. Mas nenhum dos camundongos com o cérebro gigante chegou a nascer e foi impossível fazer testes determinando se eles eram mais espertos que os outros.

Voz de macacoUm dos símios mostrados no filme consegue, a certa altura, falar como um humano. Mesmo que fosse possível tornar os gorilas, chimpanzés, orangotangos e bonobos — espécies retratadas no filme —inteligentes a este ponto, o aparelho vocal deles não tem a anatomia necessária para fazer sons iguais aos dos humanos.

Mas o filme acerta quando mostra os símios usando a linguagem de sinais. Projetos realizados por cientistas pioneiros como o americano Herbert Terrace, professor do departamento de psicologia da Universidade de Columbia, ensinaram chimpanzés a usar a linguagem humana para se comunicar. O experimento, realizado nos anos 1970, ensinou Nim Chimpsky (uma brincadeira com o linguista Noam Chomsky) a combinar 125 sinais para se comunicar. E assim, como o personagem de James Franco faz com o filhote de chimpanzé Caesar, ele foi criado como um humano pelos pesquisadores. FONTE: VEJA ONLINE