domingo, 15 de maio de 2011

Massacre na Guatemala deixa ao menos 27 pessoas decapitadas

Ao menos 27 pessoas foram assassinadas e decapitadas em uma fazenda localizada em Petén, no norte da Guatemala, em um suposto acerto de contas entre traficantes que operam na fronteira com o México, informou neste domingo o chefe da polícia local, Jaime Otzín.
Segundo Otzín, o crime ocorreu em uma fazenda de San Andrés, no departamento (Estado) de Petén, 500 km ao norte da capital.
"Temos duas hipóteses, mas é preciso avançar nas investigações para determinar o que ocorreu", declarou Otzín aos jornalistas.
Uma das hipóteses, diz o delegado, é de que o crime esteja relacionado com ações do tradicional cartel mexicano Los Zetas.
A outra é que o crime esteja vinculado ao assassinato do fazendeiro Haroldo Waldemar León Lara, irmão do ex-traficante guatemalteco Juan José León, que foi morto em 2008 aparentemente também pelo mesmo cartel mexicano.
Haroldo León Lara foi assassinado no sábado (14) quando viajava com US$ 31 mil em dinheiro, aparente destinados à folha de pagamento de sua fazenda.
A Guatemala tem um dos maiores índices de homicídios da América Latina, com 18 assassinatos por dia. A maioria dos crimes são atribuídos a grupos de traficantes e às temidas gangues, ou "maras". FONTE: FRANCE PRESSE

Nasa quer Plutão de volta à lista de planetas

A polêmica veio à tona pela internet: a Nasa voltou a incluir Plutão na lista de planetas do Sistema Solar em gráfico sobre futuras missões planetárias da agência (veja aqui).
Plutão está fora da lista dos planetas do Sistema Solar há cinco anos, quando a IAU (União Astronômica Internacional), órgão que diz quem é quem no Universo, promoveu o rebaixamento.
O feito aconteceu depois que o astrônomo Michael Brown, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), descobriu o primeiro astro além da órbita de Netuno com dimensões maiores que as de Plutão (mais tarde chamado de Éris).
Brown virou celebridade no mundo científico: foi escolhido pela revista "Time" como uma das cem pessoas mais influentes daquele ano e até publicou um livro - "How I Killed Pluto And Why It Had It Coming" ("Como Matei Plutão e Por Que Ele Mereceu").
Mas a Nasa torceu o nariz. E o motivo da birra é simples: pouco antes do rebaixamento, em janeiro de 2006, a agência havia enviado a sonda “New Horizons” para estudar justamente Plutão.
A viagem, de quase 5 bilhões de quilômetros, deve terminar em 2015. O custo da empreitada é de aproximadamente US$ 700 milhões. É um valor alto, ainda mais considerando que a Nasa tem sofrido corte de recursos desde o início da crise econômica dos EUA. O orçamento previsto para 2011 é de US$ 19 bilhões.
Mas cientistas de outras instituições também tomaram partido de Plutão e questionaram o rebaixamento do planetinha. No começo do ano, um grupo do Observatório de Paris disse ter feito uma medição que comprovaria que Éris é menor que Plutão (leia matéria da Giuliana Miranda sobre o tema). A IAU bateu o pé e não mudou de ideia: Plutão continuou no grupo "B" do Sistema Solar.
A Nasa não se manifestou sobre a inclusão de Plutão no seu gráfico. Seria um lapso da agência ou o começo de uma empreitada para reclassificar Plutão antes de sonda chegar ao planetinha? FONTE: BLOG DE CIÊNCIA

Filme mudo diverte plateia no Festival de Cannes

O título que pode ser tomado como presunçoso --"O Artista"-- e a informação de que se tratava de um filme mudo, em preto em branco, fizeram com que muita gente, antes de entrar na sessão, estivesse com um pezinho atrás em relação ao filme dirigido por Michel Hazanavinicius.
Mas, definitivamente, "presunçoso" e "enfadonho" não são adjetivos adequados para definir "O Artista".
O filme, exibido hoje na mostra competitiva, é divertido, ligeiro e, curiosamente, talvez o mais comercial da seleção.
A produção, de origem francesa, mas com distribuição da Warner Bros., recupera a Hollywood de 1927 por meio da história de George Valentin (vivido pelo astro francês Jean Dujardin), sorridente artista do cinema mudo que, com a chega do cinema sonoro, vê sua carreira entrar em decadência.
Hazanavinicius disse, durante a conferência de imprensa, que o desejo de realizar um filme mudo era antigo. E a razão para isso é simples: todos os seus ídolos, Hitchcock, Fritz Lang, Murneau, vieram da era muda.
"Pela falta da fala, é um cinema das emoções, das sensações", definiu.
Para recuperar esse tempo, o cineasta lançou mão de uma linguagem estilizada, com números de dança, personagens meio caricatos e um roteiro pontuado por uma certa inocência perdida.
Com isso, consegiu fazer, na era do doubly digital e do 3D, uma simpática e silenciosa homenagem à história da indústria cinematográfica. FONTE: FOLHA.COM

'Marcha das vadias' ganha adeptos e se multiplica nos EUA

Estuprada por colegas na faculdade em uma festa, Jaclyn Friedman nunca chegou a dar queixa. "Tanta gente disse que eu seria culpada, por estar na festa, por estar bebendo, por me vestir como eu me visto, que eu desisti."
O episódio, que aconteceu há quase duas décadas e foi narrado com resignação à Folha, marcou a vida da escritora e ativista feminista.
Seus agressores, inicialmente expulsos da faculdade, acabaram readmitidos e impunes, diz ela.
No último sábado, aos 39 anos, sutiã à mostra e tatuagem anunciando "corajosa", era Jaclyn uma das oradoras da SlutWalk, a "marcha das vadias", que reuniu 2.000 pessoas em Boston.
Até o segundo semestre, o movimento que começou em Toronto e pipocou em outras dez cidades dos EUA e do Canadá deve chegar a mais 40 cidades americanas e 19 outras pelo mundo.
Nova York, Houston, Londres, Johannesburgo e Buenos Aires estão no roteiro para reivindicar o significado da palavra "slut" (traduzível como "puta" ou "vadia", mas que na origem era "mulher desordeira").
"Porque nós vivemos um mundo de mentiras, sempre ouviremos que devemos ser obedientes, discretas, disponíveis e nunca agressivas -se o formos, viramos putas, e essa palavra é usada para nos pôr na linha", disse Jaclyn. A plateia urrou.
A SlutWalk surgiu como um protesto em resposta ao comentário de um policial canadense que orientou universitários dizendo: "Se a mulher não se vestir como uma vadia, reduz-se o risco de ela sofrer um estupro".
A frase reverberou não só no Canadá. Qualquer país, afinal, tem exemplos do que os organizadores chamam de "cultura de estupro": considerar o estupro um crime menor ou provocado pela vítima (quase sempre mulher, mas às vezes, homem).
MACHISMO - Os comentários de Paulo Maluf (com seu "estupra, mas não mata") e do comediante Rafinha Bastos (sobre mulheres feias que deveriam agradecer pelo estupro) traduzem o raciocínio.
Mas a SlutWalk vai além dos comentários machistas - como o da senhora que, ao ver Theresa Esconditto, 29, a caminho da marcha com "estou pedindo", estampado no decote, reprovou. "Espero que esteja assim para uma peça de teatro."
Como Jaclyn, muitas das participantes foram estupradas. "Não dá mais para que nos violem e nos culpem por isso, nem que nos digam o que fazer com nossos corpos", disse à Folha a comediante Cameryn Moore.
Na marcha majoritariamente feminina, moças carregavam frases como "meu vestido não significa sim". Uma participante tinha um cartaz dizendo ter sido estuprada aos 12 anos. "Estava usando agasalho largo e pantufas. Sou uma puta?" FONTE: FOLHA.COM