sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Pôsteres tentam profissionalizar imagem de prostitutas na Irlanda

Um grupo de prostitutas irlandesas está fazendo uma campanha para combater preconceitos em relação à profissão. Os idealizadores da campanha criaram pôsteres que mostram modelos sorrindo acompanhadas pela frase "I chose the job that suits my needs" (em tradução livre, "Escolhi o emprego que se adapta às minhas necessidades").

A ideia, segundo o site do movimento, é apresentar uma versão mais equilibrada e realista da profissão, sem vitimizar ou glamourisar homens e mulheres que optam pela atividade.

A campanha foi intitulada Turn Off the Blue Light (em tradução literal, Apague a Luz Azul) e é uma reação a uma outra, intitulada Turn Off the Red Light (Apague a Luz Vermelha), que pedia a criminalização para acabar com o tráfico de mulheres no país.

PreconceitoSegundo as organizadoras da campanha, tanto as representações negativas da prostituição quanto as positivas são nocivas. "Por um lado, existe a imagem dos trabalhadores da indústria do sexo como mulheres abusadas, controladas por cafetões, vítimas de tráfico, desamparadas e escravizadas", diz o site.

"Esta é uma visão incrivelmente negativa do trabalho e não é realista". Segundo o grupo, esse tipo de imagem é usado por entidades que fazem campanhas contra a prostituição para chocar o público. "Isso diminui a autoconfiança das profissionais, encoraja o ódio à indústria do sexo e, o que é mais sério, passa uma mensagem para o público de que profissionais do sexo estão ali para ser abusadas".

No outro extremo está a imagem da "prostituta feliz", mostrando a profissão como uma forma glamourosa de ganhar muito dinheiro. Esta não é a experiência vivida pela grande maioria dos profissionais da área, diz o site.

Os pôsteres estão sendo oferecidos ao público em geral. A ideia é que simpatizantes da campanha distribuam os cartazes pelo país para informar a população.

Todos os cartazes tem textos que descrevem atividades cotidianas realizadas por uma mulher que, ao final, se revela como prostituta. Em um deles, é possível ler: "Eu preciso deixar meu filho no treino de futebol, pegar minha filha na aula de dança irlandesa, pagar minha hipoteca e minhas contas, e eu sou uma profissional do sexo". "Temos certeza de que nossa campanha faz um retrato fiel da prostituição na Irlanda hoje, e esperamos que os pôsteres ajudem as pessoas a pensar de novo sobre como elas veem as profissionais do sexo", diz o site da campanha.

Legislação A prostituição é uma atividade legal na Grã-Bretanha e República da Irlanda, desde que praticada por pessoas maiores de 18 anos. No entanto, algumas atividades associadas à prostituição são proibidas, como oferecer serviços sexuais nas ruas. Também é ilegal administrar bordéis. Leis como essas teriam como objetivo colocar a responsabilidade sobre os que contribuem para a exploração comercial do sexo, isentando de culpa os que praticam a prostituição.

Segundo os organizadores da campanha Turn Off the Red Light, pelo fim da prostituição na Irlanda, essas leis não são suficientes e devem ser mudadas. O grupo é uma aliança de várias ONGs que defendem direitos de imigrantes e de crianças e entidades de apoio a mulheres vítimas de violência. Entre elas, Barnardos, The Immigrant Council of Ireland e Rape Crisis Network of Ireland.

Em seu site, a aliança refuta a ideia de que a prostituição seja uma transação comercial inofensiva e consensual, entre adultos e cita os casos de vários países, entre eles, Suécia e Noruega, que optaram recentemente por criminalizar a compra (e não a oferta) do sexo - segundo a aliança, com resultados positivos. Fonte: BBC BRASIL

STF condena a três anos de prisão deputado que trocou laqueaduras por votos

O deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), que negociou votos em troca de cirurgia para esterilização de mulheres no Pará, foi condenado hoje (8) a três anos, um mês e 10 dias de prisão em regime aberto, além de pagamento de multa de R$ 7,5 mil. Ainda cabe recurso da decisão.

O julgamento ocorreu durante toda a tarde e início da noite no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de a maioria dos ministros entender que houve crime (8 votos contra 1), eles divergiram sobre a aplicação da pena. O relator do caso, ministro Antonio Dias Toffoli, queria substituir a pena por pagamento de multa de 100 salários mínimos. No entanto, a maioria dos ministros optou por manter a pena privativa de liberdade devido à gravidade da situação.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o parlamentar ofereceu laqueaduras tubárias a eleitoras quando estava fazendo a pré-campanha para a prefeitura de Marabá, em 2004. Segundo o MPF, embora não aparecesse diretamente nas ações de recrutamento das mulheres, Bentes coordenava toda a ação por meio do escritório do PMDB Mulher.

Em seu voto, o decano da Corte, Celso de Mello, classificou a atuação de Bentes como “extremamente grave”. “A conduta do réu assume uma gravidade intensa se nós discutirmos a questão da esterilização feminina sob a perspectiva dos direitos reprodutivos e do direito de natalidade.”

A condenação do político, que está em sua sexta legislatura na Câmara dos Deputados, não implicará cassação automática de seu mandato. Alguns ministros chegaram a defender a suspensão da atividade legislativa do deputado enquanto durar a pena, mas a maioria entendeu que apenas o Congresso pode impedir o exercício do mandato.

Os ministros entenderam que, ao STF, só caberá enviar um comunicado à Câmara dos Deputados informado sobre a condenação quando a sentença transitar em julgado. A Corte também não definiu como será o cumprimento do regime aberto, que caberá ao juiz responsável pela execução da pena.
Essa é a quinta vez, em menos de dois anos, que o STF condena parlamentares após a Constituição de 1988. Em maio do ano passado José Gerardo foi condenado pelo emprego indevido de recursos, mas a pena foi convertida em prestação de serviços e multa. Sete dias depois, o STF condenou Cássio Taniguchi pelo mesmo crime, que acabou prescrito.

O deputado federal José Tatico foi condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto e multa no dia 27 de setembro, mas a decisão ainda não transitou em julgado. O mesmo ocorreu com o deputado Natan Donadon, condenado a 13 anos de prisão em regime fechado por formação de quadrilha e peculato em outubro do ano passado. A ação ainda aguarda decisão de recurso ajuizado pela defesa. Fonte: AGÊNCIA BRASIL

Ex-vendedor de picolé em represa tem hoje 4.000 funcionários

Sob seu comando, a empresa mais que dobrou de tamanho. Passou do faturamento de R$ 110 milhões, com a gestão de 150 restaurantes empresariais, para R$ 250 milhões e 410 restaurantes. O número de funcionários aumentou de 1.500 para quase 4.000.

Neste depoimento, Nogueira, filho de doméstica e vendedor de picolé na infância, conta como hoje chegou à liderança da empresa de restaurantes corporativos.

Sou baiano de Xique Xique, oeste da Bahia. Filho de mãe baiana e pai pernambucano. Quando tinha três anos, meu pai se separou da minha mãe e ela foi para São Paulo trabalhar de doméstica.

Eu fiquei com meus avós. Um ano e meio depois, minha mãe já estava com a vida ajeitada e foi me buscar. Fomos morar no Cambuci (centro).

Minha mãe casou de novo, com um metalúrgico, desses que são fãs do Lula. Para ele é Deus no céu e Lula na Terra. Tiveram dois filhos.

A vida sempre foi muito dura, minha mãe ganhava muito pouco. O dinheiro do padrasto, que considero o meu pai, pagava o aluguel. O salário da mãe ia pra comida. Eles colocaram nós três na escola e diziam que a gente tinha de estudar.

Aos dez, vendo a dificuldade da família, fui vender picolé na represa de Guarapiranga. A gente morava em Interlagos. Eu estudava de manhã; à tarde, vendia picolé.

O bairro era muito pobre. Mas a gente conseguia ser feliz. Meus avós vinham sempre da Bahia nos visitar.

Em 1982, meu pai ficou desempregado. Foi um tempo difícil. Minha mãe resolveu que queria voltar pra Bahia. A família toda foi junto.

Montamos um açougue, trabalhei carregando carne. Mas não deu muito certo e voltamos de novo para São Paulo. O pai sempre dizia que, para onde quer que fosse, carregaria a família toda.

Quando voltamos, eu queria fazer faculdade, mas não tinha dinheiro. Arrumei emprego de office-boy na empresa Stanley-Home. Mas o dinheiro era pouco.

Um amigo me deu um toque sobre um trabalho de figurinista de circo. Nos dias em que não precisavam de figurinista, eu vendia pipoca e chupe-chupe na porta do circo. Cheguei a ganhar muito dinheiro no circo.

Com quatro ou cinco apresentações, tirava mais que o salário de office-boy. Assim, consegui fazer faculdade. Me formei em contabilidade na Unip (Universidade Paulista).

Há 18 anos, meu antigo chefe foi para a Nutrin, em Americana (SP), e me levou. Entrei como auxiliar de almoxarifado e passei por todas as áreas: financeira, compras, contas a pagar e até pelo restaurante.

Há três anos, a empresa passou por processo de profissionalização e fui convidado a assumir a presidência.

Depois de 20 anos pagando aluguel, hoje tenho uma casa confortável, digna de presidente de empresa, com piscina e churrasqueira.

Também comprei uma moto grande, uma BMW K1300, que era um sonho que eu tinha. Antes, tinha uma Honda CG 125.

Estou onde estou hoje pois nunca parei de estudar. Meus filhos, uma menina de 17 e um menino de 15, querem estudar medicina e direito.

Procuro mostrar-lhes o valor das coisas. A gente viaja para fora do país todo ano, vai a bons restaurantes. Mas dentro de limites, não sou de esbanjar, de tomar uísque caro.

Desde que assumi a Nutrin, a empresa mais que dobrou de tamanho.

Passou do faturamento de R$ 110 milhões, com 150 restaurantes e 1.500 funcionários, para R$ 250 milhões, 410 restaurantes e quase 4.000 funcionários.

O baiano aqui trabalha, você pensa o quê? Fonte: SURGIU

Cidade de MS é investigada pelo uso de terra de cemitério em obra

O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito civil público, na última segunda-feira (5), para investigar se houve uso de recursos federais em uma obra da prefeitura de Corumbá, distante 444 quilômetros de Campo Grande, em que teria sido utilizada terra do cemitério municipal. Denúncias de moradores da cidade afirmam que o material continha até mesmo restos humanos.

A assessoria de imprensa da prefeitura de Corumbá informou ao G1 que a secretaria de Infraestrutura da cidade não tem conhecimento sobre a abertura do inquérito e disse que se manifestará somente quando for comunicada oficialmente.

De acordo com a prefeitura, foi aberta sindicância interna para apurar o fato. O prefeito Ruiter Cunha de Oliveira estabeleceu prazo de 15 dias para o término do processo e divulgação de um relatório oficial com as informações colhidas.

 Segundo o MPF, o procurador do 1º ofício Carlos Humberto Prola Júnior, que abriu a investigação, encaminhou à prefeitura um ofício para que sejam esclarecidas as denúncias.

Os problemas começaram quando moradores notaram vestígios de ossos humanos, vestimentas e lápides na terra depositada em uma praça, no bairro Cristo Redentor, que seria utilizada para a reforma do local.

De acordo com informações do secretário de infraestrutura de Corumbá, Ricardo Ametla, disse que o serviço foi realizado por servidores do município e, caso seja comprovado na sindicância o uso irregular do material, haverá punições para os culpados. Fonte: G1