sábado, 30 de julho de 2011

Projeto de saúde indígena criado no Amazonas será ampliado para todo o País

Um projeto implantado em áreas indígenas do Amazonas e Roraima para realizar testes rápidos para sífilis, HIV e hepatite será estendido a todo o País pelo Ministério da Saúde (MS).
A idealizadora e coordenadora do projeto, a médica amazonense Adele Benzaken, da Fundação Alfredo da Matta, encerrou, na última sexta-feira, 29, em Brasília, o Treinamento de Multiplicadores para a Implantação de Testes Rápidos em Áreas Indígenas no Brasil.
Para ela, um dado importante é que com a implantação dos testes, mortes de muitas crianças poderão ser evitadas pelos riscos trazidos pela Sífilis. No total, mais de 70 profissionais envolvidos na atenção à saúde indígena de todas as regiões do País, participaram do treinamento em Brasília.
O projeto, executado desde 2008 no Estado com financiado da Fundação Fundação Bill & Mellinda Gates, atende a uma população sem acesso aos exames de laboratórios, explica a médica, destacando a importância desses exames para detectar doenças como o HIV, transmissor da aids, e a sífilis que em mulheres grávidas pode causar desde o aborto, má formação congênita do feto e até a morte dele.
Distritos - Segundo Adele, o projeto abrangeu nove Distritos Sanitários Indígenas (Dseis), dos quais oito são do Amazonas e um de Roraima, testando mais de 46.643 indígenas, envolvendo 500 profissionais da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), treinados para fazer os testes, sob a coordenação dos profissionais da Fuam.
Pelos métodos tradicionais, os pacientes indígenas precisavam ser removidos para as áreas urbanas para a coleta de sangue e análise no laboratório com resultados demorando, em média, 15 dias.
Com o testes rápidos, poucas gotas de sangue são suficientes para um diagnóstico confiável das três doenças, em menos tempo: 20 a 30 minutos, na própria aldeia é obtido o resultado. No total, foi revelada uma prevalência de 1,5% de casos de sífilis e 0,09% de HIV entre os indígenas testados nas áreas.
Já no Vale do Javari, os testes revelaram uma prevalência de 12% de sífilis em uma das aldeias do Javari, é possível presumir que a doença, do tipo congênita, seja uma das principais causas das mortes de crianças recém-nascidas.
Como os dados gerais de mortes na região apontam que pelo menos 30% das crianças recém-nascidas morrem vítimas de doenças como malária, hepatite, entre as causas pode também estar a sífilis. Com os casos positivos para HIV e hepatites B e C, os pacientes são removidos para centros de referências do Sistema Único de Saúde (SUS), em municípios próximos das aldeias onde vivem.
Indígena - O programa atende a uma população de mais de 45 mil indígenas que vivem no Amazonas e Roraima, alguns em aldeias remotas ou situadas em locais de difícil acesso.
Aproximadamente, 55% da população indígena do Amazonas e Roraima já fizeram os exames nos seguintes distritos: Alto Solimões (sede em Tabatinga-AM), Alto Rio Negro (sede em São Gabriel da Cachoeira-AM), Manaus (AM), Parintins (AM), Purus (sede em Lábrea-AM), Médio Solimões (sede em Tefé-AM), Vale do Javari (sede em Atalaia do Norte-AM), Leste Roraima e Yanomami (RR).
No Vale do Javari, os testes revelaram uma prevalência de 12% de sífilis em uma das aldeias, o que leva a presumir que a doença, do tipo congênita, seja uma das principais causas das mortes de crianças recém-nascidas, diz Adele. FONTE: PORTAL A CRÍTICA

Corpos de brasileiros mortos no Peru chegam neste domingo, diz empresa

Os corpos do engenheiro Mário Gramani Guedes e do geólogo Mário Augusto Soares Bittencourt, encontrados mortos no Peru na quarta-feira (29), chegarão ao Brasil na madrugada deste domingo (31), de acordo com a Leme Engenharia, empresa em que eles trabalhavam.
Após dois dias desaparecidos, os corpos deles foram encontrados na Região de Jaén, no Norte do Peru a 800 quilômetros de Lima. A empresa informou que contratou um perito para examinar os corpos e coletar material para análise suplementar no Brasil. Os resultados preliminares, divulgados pela perícia peruana na quinta-feira (28), não esclareceram o que matou os brasileiros e sinais de violência não foram identificados. O engenheiro Mário Bittencourt e o geólogo Mário Guedes estavam realizando um trabalho de estudo. Após se distanciarem da equipe em um levantamento de campo, eles foram dados como desaparecidos. Ainda de acordo com a empresa, Mário Bittencourt será sepultado em Belo Horizonte e Mário Guedes, em São Paulo (capital). A data do sepultamento ainda será definida pelas famílias. Causas da morte - Familiares de Mário Gramani Guedes e Mário Augusto Soares Bittencourt ainda procuram respostas para o ocorrido e contestam a primeira versão da polícia peruana, de que os dois teriam sofrido hipotermia. "A região não era tão fria e estava apenas a 800 metros do nível do mar, não justifica uma hipotermia”, diz o sobrinho de Mario Bittencourt, Felipe Bittencourt. Ainda de acordo com o sobrinho, um diplomata foi ao local onde os corpos foram encontrados e relatou que a trilha não era fechada, o que, para a família, contradiz a idéia que eles tenham se perdido na região. “Provavelmente este caso irá ficar sem explicação”, lamenta o sobrinho. Os resultados preliminares divulgados pela perícia peruana não esclareceram o que matou os brasileiros e sinais de violência não foram identificados. De acordo com Felipe, alguns jornais locais do Peru noticiaram que os brasileiros poderiam ter sido mortos por campesinos peruanos contrários a construção de uma hidrelétrica. “Essa possibilidade provavelmente será levada em conta no inquérito policial”, diz. FONTE: G1

Avança no Congresso proposta que criminaliza MP3

Cadeia para quem compartilhar sua rede de banda larga de internet wi-fi com os vizinhos, compartilhar músicas pelo bluetooth do aparelho celular ou usar softwares para desbloquear mídias de DVDs e assisti-las no computador. É isso o que pode acontecer caso seja aprovado na Câmara o Projeto de Lei 84/99 (conhecido como PL Azeredo) que tramita em caráter de urgência e pode ser votado a partir da terça-feira.
O PL nasceu no Senado, onde foi aprovado rapidamente e de forma obscura. Quando chegou na Câmara, recebeu o apelido de AI-5 digital e foi posto como substitutivo a um projeto do ex-deputado Luiz Piauhylino. “O preocupante é que, agora, a proposta tramita com urgência. Isso significa que já entra na pauta de votação assim que a Câmara voltar do recesso parlamentar – ou seja, na próxima terça, quando recomeçam as sessões. Se for aprovado, o que representaria um retrocesso, iria direto para sanção presidencial”, diz Guilherme Varella, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) – que ) lançou uma campanha contra o projeto, com abaixo-assinado (na página www.idec.org.br/campanhas/facadiferenca.aspx?idc=24) contra a proposta. Polêmica - O PL é bastante polêmico ao limitar a disseminação de informações na rede. A proposta trata de crimes cibernéticos e criminaliza práticas comuns de internautas como digitalizar e guardar suas músicas num MP3 player ou computador – mesmo que o consumidor tenha passado para computador as músicas de um CD que comprou. “Além disso, seria considerado criminoso o consumidor que compartilhasse com seus vizinhos seu acesso à internet através de redes Wi-Fi ou que utilizasse plenamente serviços de voz sobre IP na rede, como o Skype”, diz Varella. Até a prática e usa softwares para destravar e poder assistir a DVDs bloqueados (que só rodam no DVD player) no computador seria crime. “Nesse caso, a proposta prevê detenção de 1 a 3 anos para quem fizer isso. Ou seja, o consumidor não teria nem a permissão para usar como deseja o produto que comprou.” Para juntar provas necessárias para incriminar o consumidor, o projeto prevê ainda que os provedores de internet retenham mais que o necessário das informações sobre os históricos de navegação dos consumidores na rede. “Em caso de ‘crimes ou violações’ da lei, os provedores teriam a responsabilidade de denunciar o consumidor, que passaria a ser um criminoso. Isso é preocupante no cenário brasileiro em que inexiste uma lei de proteção de dados pessoais. Vale lembrar que, na internet, praticamente todas as ações passam por relações de consumo (desde o comércio eletrônico até às redes sociais). Portanto, devem valer os princípios do Código de Defesa do Consumidor de transparência e boa-fé, e não de monitoramento e restrição de direitos, como quer o projeto”, diz o advogado Varella. Além do Idec, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) também teme que a proposta limite a liberdade dos consumidores na internet. “Lógico que é importante se monitorar a segurança na internet, violações aos direitos autorais, mas sem abusos. Mas não se pode criminalizar práticas comuns dos internautas, como digitalizar músicas. Antes, é preciso uma discussão do assunto com a sociedade”, diz Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste. Varella concorda: “É essencial garantir os direitos na internet antes de criminalizar as condutas. Assim, antes do PL 84/99, é preciso aprovar o Marco Civil da Internet e a lei de proteção de dados”. FONTE: O ESTADÃO