quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Forçada a casar e torturada aos 13 anos, afegã é exemplo raro de justiça

 
Segundo autoridades, quando ela se recusou a se prostituir ou a fazer sexo com o homem com quem foi obrigada a se casar aos 13 anos, a família do noivo de Sahar Gul a torturou e a atirou num porão imundo e sem janelas por meses, até que a polícia a encontrou deitada sobre palha e fezes de animais.

Em julho, um tribunal de segunda instância manteve as sentenças de dez anos a cada um de seus três parentes por afinidade, decisão anunciada como um triunfo jurídico, ressaltando os progressos dos direitos femininos na última década. Ela está se recuperando das feridas, físicas e emocionais, num abrigo feminino em Cabul.

Porém, para muitos defensores dos direitos femininos, o caso dela, que atraiu a atenção do presidente afegão, Hamid Karzai, e da imprensa internacional, é a exceção que comprova a regra: uma pequena vitória em meio a inúmeros casos de violência contra a mulher que nunca são revelados.

Além disso, os grupos de defesa temem que o progresso hesitante conquistado na proteção de algumas mulheres se perca caso o foco do Ocidente no Afeganistão comece a mudar enquanto as tropas da Otan se retiram e ocorre uma redução do dinheiro internacional enviado para a economia.

De acordo com os promotores e autoridades do governo, Ghulam Sakhi pagou pelo menos US$ 5 mil por ela, um negócio ilegal. Ele foi embora com Sahar Gul para a casa de seus pais, em Baghlan, outra província no norte do Afeganistão, a centenas de quilômetros dali.

A primeira esposa de Ghulam Sakhi fugiu depois de ser espancada pelo marido e pela sogra por não engravidar, segundo declarações de Rahima Zarifi, presidente do departamento de assuntos femininos de Baghlan, e do mulá da mesquita da cidade de Baghlan. Na busca por uma nova esposa, talvez existisse um motivo para a família de Ghulam Sakhi procurar tão longe: eles queriam forçá-la a se prostituir, garantiram Zarifi, que acompanhou o caso de perto, e representantes do Ministério de Questões Femininas, em Cabul.

Em Baghlan, a menina foi imediatamente colocada pra trabalhar, cozinhando e fazendo faxina, mas conseguiu resistir à consumação do casamento durante semanas.

Ela fugiu para a casa de um vizinho, que avisou a polícia e a família do marido. Os vizinhos de Ghulam Sakhi e a polícia o forçaram a assinar uma carta prometendo não maltratar Sahar Gul, mas o deixaram levá-la embora.

O alerta teve pouco efeito. Um dia, quando reclamou de dor de cabeça, a sogra, Siyamoi, a enganou e, no lugar de analgésico, lhe deu um sedativo, disse Mushtari Daqiq, diretora executiva interina do grupo Mulheres pelas Mulheres Afegãs e também advogada de Sahar Gul.

'Ao acordar pela manhã, ela percebeu ter sido usada pelo marido', contou Daqiq.

Advogados da família afirmam que eles negam ter surrado ou drogado Sahar Gul e que as feridas foram provocadas pela menina. Eles negam que ela estivesse confinada no porão e sustentam que não tinham planos de fazê-la se prostituir. A acusação de prostituição não foi julgada.

Os advogados, pagos pelo grupo jurídico Da Qanoon Ghushtonky (Requerentes da Lei), que é financiado por ajuda internacional, argumentam que o clamor político fez com que o julgamento fosse apressado sem o devido processo.

Para eles, em vez de demonstrar a falta de proteção legal às mulheres, o caso de Sahar Gul ressalta a fraqueza do sistema jurídico ainda em desenvolvimento do Afeganistão, o qual pode ser manipulado facilmente por políticos como Karzai.

Siyamoi e Mahkhurd agora são duas entre as 171 presas de uma penitenciária feminina em Cabul. Recentemente, as duas mulheres insistiram na inocência e atacaram ferozmente os acusadores.

'Estamos sendo enganadas pelo tribunal', disse Siyamoi. 'Se me considera uma criminosa, por que não arranca minhas unhas?' Fonte: THE NEW YORK TIMES

Planeta 'engolido' por estrela alimenta hipóteses sobre possível fim da Terra

Astrônomos encontraram evidências de um planeta que teria sido 'devorado' por sua estrela, dando fôlego a hipóteses sobre qual poderia ser o destino da Terra dentro de bilhões de anos.

A equipe descobriu indícios de um planeta que teria sido 'engolido' ao fazer uma análise sobre a composição química da estrela hospedeira.

Eles também acreditam que um planeta sobrevivente que ainda gira em torno dessa estrela poderia ter sido lançado a uma órbita incomum pela destruição do planeta vizinho.

Os detalhes do estudo estão na publicação científica 'Astrophysical Journal Letters'.

A equipe, formada por americanos, poloneses e espanhóis fez a descoberta quando estava estudando a estrela BD 48 740 - que é um de uma classe estelar conhecida como gigantes vermelhas.

As observações foram feitas com o telescópio Hobby Eberly, no Observatório McDonald, no Texas.

Concentração de lítio - O aumento das temperaturas próximas aos núcleos das gigantes vermelhas faz com que essas estrelas se expandam, destruindo planetas próximos.

'Um destino semelhante pode aguardar os planetas do nosso sistema solar, quando o Sol se tornar uma gigante vermelha e se expandir em direção à órbita da Terra, dentro de cerca de cinco bilhões de anos', disseo professor Alexander Wolszczan, da Pennsylvania State University, nos EUA, co-autor do estudo.

A primeira evidência de que um planeta teria sido 'engolido' pela estrela foi encontrada na composição química peculiar do astro.

A BD 48 740 continha uma quantidade anormalmente elevada de lítio, um material raro criado principalmente durante o Big Bang, há 14 bilhões de anos.

O lítio é facilmente destruído no interior das estrelas, por isso é incomum encontrar esse material em altas concentrações em uma estrela antiga.

'Além do Big Bang, há poucas situações identificadas por especialistas nas quais o lítio pode ser sintetizado em uma estrela', explica Wolszczan.

'No caso da BD 48 740, é provável que o processo de produção de lítio tenha sido desatado depois que uma massa do tamanho de um planeta foi engolida pela estrela, em um processo que levou ao aquecimento do astro.'

Órbita incomum - A segunda evidência identificada pelos astrônomos está relacionada a um planeta recém-descoberto que estaria desenvolvendo uma órbita elíptica em torno da estrela gigante vermelha.

Esse planeta tem pelo menos 1,6 vez a massa de Júpiter. Segundo Andrzej Niedzielski, co-autor do estudo da Nicolaus Copernicus University em Torun, na Polônia, órbitas com tal configuração não são comuns nos sistemas planetários formados em torno de estrelas antigas.

'Na verdade, a órbita desse planeta em torno da BD 48 740 é a mais elíptica já detectada até agora', disse Niedzielski.

Como as interações gravitacionais entre planetas são em geral responsáveis por órbitas incomuns como essa, os astrônomos suspeitam que a incorporação da massa do planeta 'engolido' à estrela poderia ter dado a esse outro planeta uma sobrecarga de energia que o lançou em uma órbita pouco comum.

'Flagrar um planeta quando ele está sendo devorado por uma estrela é improvável por causa da rapidez com a qual esse processo ocorre', explicou Eva Villaver da Universidade Autônoma de Madri, na Espanha, uma das integrantes da equipe de pesquisadores. 'Mas a ocorrência de tal colisão pode ser deduzida a partir das alterações químicas que ela provoca na estrela.'

'A órbita muito alongada do planeta recém-descoberto girando em torno dessa estrela gigante vermelha e a sua alta concentração de lítio são exatamente os tipos de evidências da destruição de um planeta.' Fonte: BBC