sexta-feira, 15 de junho de 2012

Espanha está próxima de pedir socorro para pagar contas

A economia da Espanha, uma das mais atingidas pela crise na Europa, deu nesta quinta-feira mais um sinal fraqueza.

Os juros que a Espanha precisa oferecer para atrair o interesse dos investidores pelos títulos da sua dívida chegaram aos perigosos 7%, nível que indica que o país está próximo de pedir socorro internacional para pagar suas contas. Grécia, Irlanda e Portugal precisaram de ajuda quando seus juros chegaram a esses 7%.

Na quarta-feira (13), a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota espanhola – uma consequência do socorro de 100 bilhões de euros concedido aos bancos do país em dificuldades.

Na Itália, o primeiro-ministro Mario Monti enfrentou protestos violentos contra as medidas de austeridade. Ao receber o presidente da França, François Hollande, Monti declarou que os progressos feitos até agora não foram suficientes para proteger o euro.

A primeira-ministra Angela Merkel, líder da maior economia da Europa, disse que os países precisam cumprir as regras e acabar com o círculo vicioso da dívida e que a Alemanha é forte, mas a sua força não é infinita. O rigor alemão vai ser confrontado mais uma vez com a fragilidade da Grécia. No domingo (17), o país realiza novas eleições. A Europa espera, muito preocupada, os resultados de Atenas, que podem revelar o destino da moeda única europeia. FONTE: JORNAL NACIONAL

Tabus, preconceitos e desejo de concretizar fantasias explicam a procura por prostitutas

Não seria correto dizer que o sexo é mais presente na vida das pessoas hoje do que foi no passado. O sexo, assim como a morte, sempre foi -e provavelmente será- o grande tema da vida das pessoas. A diferença é que agora é tratado de forma supostamente natural graças a uma abertura da sociedade. Homens e mulheres querem ser "bons de cama" e nada é proibido entre quatro paredes. Toda essa liberdade e sexolatria, entretanto, não parecem ter alterado o negócio da prostituição, que continua indo muito bem. Mas com tanta oferta gratuita, por que os homens ainda procuram os serviços de prostitutas?

Carmen Lucia Paz, de 47 anos, prostituta desde os 17 e formada em Ciências Sociais com e pós-graduação em Direitos Humanos, questiona essa liberação. "Ainda há dificuldade para se discutir sexualidade em todos os âmbitos da sociedade. Conosco, os homens têm liberdade de conversar sobre o que quiserem, sem medo de críticas. Eles podem liberar a fantasia, que é o nosso ganha-pão", diz ela, que é sócia-fundadora do Núcleo de Estudos da Prostituição, em Porto Alegre (RS) e militante na Rede Brasileira de Prostitutas, grupo que promove a defesa dos direitos da categoria.

Elisiane Pasini, antropóloga e doutora em ciências sociais pela Unicamp, que estuda a prostituição de mulheres há 15 anos, também discorda da ideia de total liberdade sexual. "A sociedade ainda controla a sexualidade de todas as formas. Os papéis de homens e mulheres continuam fechados. A sexualidade está numa caixinha e a gente não consegue abrir. Temos muitos preconceitos que impossibilitam as pessoas de viverem sua sexualidade como desejam”, afirma ela. "Acho que a maioria das coisas que acontecem na zona são papai-mamãe em 10, 20 minutos, pelo que percebi. Muitas vezes, o homem não brigou com a mulher, a ama, mas está lá para viver outras experiências", diz Elisiane.

HÁ AFETO - A relação entre cliente e prostituta não é totalmente destituída de sentimentos, ainda que seja breve. Mesmo sendo comercializada, é uma relação afetivo-sexual. "É assim porque envolve alguma dimensão de afeto, que, em psicanálise, diz respeito a qualquer emoção e sentimento. Assim, angústia é afeto, raiva é afeto. São relações que têm dimensão afetiva e realização sexual”, afirma Almira Rodrigues, doutora em sociologia pela UnB (Universidade de Brasilia), psicanalista e membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília.

Para Almira, a busca dos homens por prostitutas passa pela questão psíquica e solidão. "Tem a ver com desejo e fantasia. De alguma maneira, essas pessoas não conseguem ter prazer em casa, satisfação na relação com o cônjuge e vão buscar com outras mulheres. E tem também os homens que são sozinhos, sem oportunidade de acesso ao prazer sexual, a não ser pagando", diz a psicanalista.

A antropóloga Mirian Goldenberg, que acaba de lançar o livro "Tudo o que Você Não Queria Saber Sobre Sexo" (Editora Record) e que estuda a sexualidade na classe média carioca desde 1988, ouviu várias respostas interessantes de homens que buscam prostitutas (chamadas, nesse meio social, de garota de programa). "Eles nunca usam a palavra prostituta. Garota de programa é diferente: é mais bonitinha, inteligente, cobra mais, tem classe social um pouco melhor. Elas sabem fazer sexo e não querem vínculo", diz Mirian.

SEM VÍNCULO, SEM COBRANÇA - Estar livre de vínculos e de cobranças é um dos motivos que levam os homens a procurar uma prostituta. Entre as entrevistas que antropóloga Mirian Goldenberg fez para suas pesquisas, ela lembra um rapaz de 27 anos, rico, bem-sucedido e bonito. "Ele disse que a namorada era tudo de bom, mas sempre queria discutir relação. Para ele, saía mais barato a garota de programa, a quem pagou R$ 500 para ter alguns momentos gostosos. Sexo com a namorada custava conversa, ir ao cinema, jantar, compromisso. Ele não queria isso", diz Mirian. Ela também comenta o caso de um homem casado, de 55 anos, que amava a mulher, mas pagava R$ 200 para transar com uma garota de programa. "Ele não gostava mais de fazer sexo com a mulher, não tinha tesão, mas não queria se separar."

Não ter vínculo afetivo é importante para os homens, segundo a antropóloga Elisiane Pasini. "Transam e vão embora, sem precisar voltar nem telefonar no dia seguinte. Isso fecha a história. O dinheiro dá sensação de poder e controle a eles". Segundo ela, ao procurar uma prostituta, os homens também se livram da pressão de ter de provar que são bons em competir por uma mulher. "Em uma danceteria, se querem alguém, terão de disputar. Na zona de prostituição eles não precisam, pois vão pagar. Ele sempre vai sair de lá se sentido gostoso. Ele foge da pressão de ter de ser o bom em tudo e não tem de se esforçar", diz Elisiane.

Breve história da prostituição no Brasil

No Brasil dos séculos 17 e 18, prostituir-se era uma forma de sobrevivência. "No século 18 se tornou um negócio mais organizado, nas chamadas casinhas, que ficavam ao redor das cidades. Havia verdadeiras gerações de avós, mães e filhas que iam se prostituindo para manter parentes idosos e filhos pequenos", conta a historiadora Mary Del Priore, que estuda a sexualidade no Brasil ao longo dos séculos e autora do livro "Histórias Íntimas - Sexualidade e Erotismo na História do Brasil" (Ed. Planeta) e de "A Carne e o Sangue" (Ed. Rocco).

A partir da metade do século 19, surge uma modificação: o fenômeno da exploração de mulheres por homens nos bordéis. "Esse tipo de comércio é desenvolvido sobretudo por europeus que fazem o comércio das polacas. Elas são chamadas de cocotes e promovem a ascensão das loiras no Brasil. A clientela é rica e, para um senador do império ou senhor de engenho, ter uma cocote era sinal de prestígio", conta Mary.

No final do século 19 e início do 20, o empobrecimento da Europa às portas da primeira Grande Guerra provoca uma onda de prostitutas a caminho do Brasil que aumentou com as brasileiras que vão se prostituir por serem mulheres de moral duvidosa para a sociedade.

A chegada da Aids promoveu uma valorização das relações monogâmicas. No final dos anos 1980 e começo dos 1990, surge a garota de programa, meninas de classe média que veem na prostituição uma forma de ganhar dinheiro sem que a família saiba.

"No passado, elas eram vistas como uma saída, um ralo pelo qual deveria escoar o desejo dos homens, para que não ambicionassem mulheres casadas ou virgens casadoiras. Ela tinha a função de satisfazer esse desejo. Não haveria risco de uma virgem ser ameaçada pelo desejo de um homem. Mas, com as transformações culturais e morais, isso tudo caiu por terra." FONTE: BOL

Rússia diz que não repassará mais helicópteros para a Síria

A Rússia informou na manhã desta sexta-feira (15) que não vai mais repassar helicópteros para a Síria, num gesto que pode ser considerado a primeira mudança de postura vinda de Moscou na questão, uma vez que o país vinha se mostrando aliado do governo do presidente Bashar al Assad.

É cada vez maior a pressão para que o governo sírio sofra sanções na tentativa de interromper o massacre contra oposicionistas e até mesmo contra a população civil. FONTE: G1

Laudo do IML indica que executivo da Yoki foi decapitado ainda vivo

Um laudo que faz parte do inquérito que apura a morte do empresário Marcos Matsunaga, diretor-executivo do grupo Yoki, indica que a vítima foi decapitada quando ainda estava viva. Nesta quinta-feira (14), a polícia entregou o inquérito à Justiça de Cotia, na Grande São Paulo, com um pedido de prisão preventiva para que Elize Matsunaga fique na cadeia até o julgamento.

Para a polícia, o caso está encerrado. Durante a investigação, a mulher de Marcos confessou que matou e esquartejou o empresário no apartamento da família, na Zona Oeste de São Paulo. Ela disse que, durante uma discussão sobre a traição do marido, levou um tapa no rosto, pegou uma pistola na gaveta e atirou, a mais de 1,5 metro de distância.

O laudo dos peritos aponta outra versão: no momento do tiro, Marcos estava abaixado. Elize estava de pé quando atirou, de cima para baixo e à queima roupa. Os vestígios de pólvora no rosto da vítima, vindos da arma, indicam que a distância era curta.

O laudo indica que Marcos Matsunaga morreu por choque traumático, causado pela bala, e asfixia respiratória por sangue aspirado devido à decapitação.

Para o advogado Luiz Flávio D'Urso, que representa a família Matsunaga, o crime foi premeditado e o documento desmente a versão de Elize, que disse ter esquartejado o marido dez horas depois da morte. "O que leva à conclusão de que estamos diante de disparo de arma de fogo que não o matou e que, posteriormente, segundo o laudo, em razão de ele ter tido o pescoço cortado ainda vivo, se asfixiou com o sangue decorrente desta degola", disse D'Urso.

O professor de medicina legal da Universidade de São Paulo (USP) Henrique Soares explicou ao Jornal Nacional o que significa o resultado do laudo. “Significa que a vítima ainda estava viva quando foi decapitada. Tomou um tiro, provavelmente estava inconsciente, em estado de coma, e nesse estado foi submetido à decapitação, momento no qual houve a aspiração do sangue. Estou lendo um laudo, não participei da necropsia”, disse.

O advogado da família diz que, com esse laudo, deveria ser investigado se Elize premeditou o crime. "Isso precisa ser melhor apurado. A questão da premeditação mais do que nunca agora deve ser profundamente investigada", afirmou D'Urso.

Na conclusão do inquérito, uma dúvida da investigação foi esclarecida: onde estava a babá no momento do crime? As imagens do elevador divulgadas pela polícia mostram que ela chegou com a família na noite de 19 de maio. Depois disso, só Marcos Matsunaga aparece diante da câmera. Agora se sabe que a babá foi embora pelo elevador de serviço, às 19h30 da noite, como mostra uma foto obtida pela polícia.

Trâmite na Justiça - Os próximos passos do caso serão dados na Justiça, que vai decidir se o processo fica em Cotia, onde o corpo do empresário foi encontrado, ou se ficará na capital paulista, onde aconteceu o assassinato. A decisão deve ser tomada nos próximos cinco dias.

Elize Matsunaga está presa na cadeia de Itapevi, também na Grande São Paulo. O advogado dela, Luciano Santoro, disse que não teve tempo para analisar os laudos anexados ao inquérito e que vai aguardar a Justiça se pronunciar sobre a conclusão das investigações e o pedido de prisão preventiva.

A morte - O empresário foi morto com um tiro na cabeça e esquartejado com uma faca na noite de 19 de maio no apartamento do casal, na Zona Oeste da capital paulista. No dia 27 do mês passado, pedaços do corpo foram encontrados em sacos plásticos em Cotia.

Elize foi presa em 5 de junho. O prazo da prisão temporária é de 15 dias. Para a Polícia Civil, após ouvir o depoimento de nove pessoas, a investigação concluiu que o crime foi passional e não premeditado.

Elize contratou um detetive particular que flagrou Marcos traindo a mulher com uma garota de programa, função que a indiciada também exercia até conhecer o executivo.

Em seu interrogatório no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a viúva disse que discutiu com Marcos ao descobrir a traição e que só atirou com uma pistola após ter sido ofendida e agredida por ele. Ela levou cerca de quatro horas para desmembrar o corpo e colocar em três malas.

A faca e as malas não foram encontradas. A arma passou por perícia. Elize foi indiciada (responsabilizada formalmente pelo crime) por homicídio duplamente qualificado, por motivo cruel e fútil, e ocultação de cadáver.

Herança - A confissão de que assassinou o marido pode levar Elize a perder qualquer direito sobre a herança e até mesmo sobre a administração dos bens da filha do casal.

A declaração de indignidade, porém, como é chamado o procedimento que exclui um herdeiro dos direitos sucessórios, não é automática, e depende de uma ação proposta por outros herdeiros ou pelo Ministério Público.

“Se Elize não tivesse praticado nenhum crime, ela teria direito a concorrer com os filhos do executivo pela herança, mas diante da prática e da confissão do crime, ela deve ser declarada indigna. Essa declaração, no entanto, não é automática. Algum outro herdeiro precisa entrar com a ação para que o juiz declare formalmente a indignidade”, afirmou ao G1 o advogado Nelson Susumu, presidente da Comissão de Direito de Família da OAB/SP. A Justiça prevê o prazo de quatro anos para que se promova a ação de exclusão de herdeiro por indignidade.

O crime exclui Elize dos direitos de herança do marido, mas a filha do casal irá herdar todos os bens do pai junto com seus outros filhos, segundo advogados ouvidos pelo G1. Já o direito de administrar esses bens, pelo menos enquanto Elize estiver presa, em julgamento, ou após uma possível condenação, não deverá ser da mãe da criança.

“O ato de indignidade regula uma pena civil para o crime, por isso ela perde também, neste momento, o direito de administrar os bens da filha. Quem deverá cuidar dessa herança será o tutor, aquele que tiver a guarda da filha do casal”, explica César Klouri, presidente da Comissão de Direito Civil da OAB/SP.

O advogado Braz Martins Neto, que cuida dos interesses da família Matsunaga na área civil, afirmou que a criança permanece sob os cuidados de uma tia, no apartamento do casal. A família Matsunaga vai visitar a menina quando quer. O advogado afirmou ao G1 nesta quinta-feiraque Elize não deve estar entre os herdeiros de Marcos Matsunaga. “Por força do dispositivo 1814 do Código Civil, Elize será excluída da sucessão”, afirmou.

O código prevê que o autor, co-autor ou partícipe de homicídio doloso não receberá herança. Segundo ele, a exclusão independe de uma solicitação da família. “Nesses casos, o Ministério Público deve fazer esse pedido em favor da filha do casal. Como se trata de um menor, os direitos não permitem nenhuma concessão”, disse. FONTE: G1