sexta-feira, 6 de julho de 2012

Fazenda usa dado 'secreto' para medir endividamento


O Ministério da Fazenda está usando um indicador "secreto" para medir o nível de endividamento das famílias brasileiras.

Para a Secretaria de Política Econômica da pasta, o estoque da dívida bancária das famílias brasileiras corresponde a 64% da sua renda anual. Para o Banco Central, essa estimativa é de 44%.

A discrepância ficou evidente numa apresentação feita há cerca de duas semanas por Márcio Holland, secretário do ministério. Em um dos slides, também divulgado no site da Fazenda, a nota de rodapé dizia: "Os dados devem ser utilizados tão somente para discussões internas e não devem ser publicados".

O documento da Fazenda defende que a estatística do BC não deveria ser utilizada para realizar comparações com outros países porque a autoridade monetária adota uma metodologia "significativamente diferente".

O nível de endividamento das famílias está no centro do debate econômico nacional. Para garantir a retomada do crescimento, o governo aposta no estímulo ao consumo por meio de crédito, ideia que vem gerando críticas.

Em junho, a presidente Dilma Rousseff rebateu as críticas. Disse que o crescimento do consumo significa inclusão social. "Não temos um nível elevado de endividamento das famílias, é só pegar os padrões internacionais de endividamento e olhá-los."

A apresentação da Fazenda mostra estatísticas para Estados Unidos, França e Alemanha com índices bastante superiores, de 124%, 99% e 97,5%, respectivamente.

Para o economista José Márcio Camargo, mesmo que a situação brasileira pareça menos alarmante, a dificuldade de pagamento no Brasil merece destaque. Com elevadas taxas de juros, os brasileiros encontram condições menos favoráveis para quitação. Além disso, o endividamento no Brasil é mais concentrado em uma parcela da população, o que distorce as comparações.

"Essas dívidas são feitas por famílias com renda entre R$ 1 mil e R$ 5 mil. Nesse grupo, a taxa de endividamento é muito maior", explica.

O Banco Central não quis comentar. Já o ministério retirou o documento do site após ser procurado e afirmou que a publicação havia sido feita por engano. FONTE: FOLHA ONLINE

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