sábado, 10 de setembro de 2011

Estudo contesta apagão de mão de obra


Apesar das constantes queixas de falta de trabalhadores qualificados no país, não há indícios de que o Brasil esteja sofrendo de um apagão de mão de obra generalizado. Esta é a conclusão comum em alguns dos estudos recentes sobre o tema.

Podem faltar profissionais qualificados em alguns setores, mas, analisando tendências do mercado de trabalho, o país tem formado mais quadros de nível superior do que é capaz de absorver.

Em caso de escassez de quadros qualificados, é esperado que os rendimentos destes cresçam, pois as empresas precisam de mais esforço para contratar e manter os profissionais.

Não foi o que aconteceu na década passada, de acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE. Quando considerada a inflação, a renda média da população adulta ocupada com nível superior teve queda de 17%.


MAIS CONCORRÊNCIA Ter diploma universitário continua sendo um bom negócio no Brasil. No entanto, como houve crescimento de 79% no número de trabalhadores com esta formação, o mercado é mais concorrido.


Uma consequência desta expansão foi verificada em estudo do economista João Saboia, da UFRJ.

Analisando o cadastro de empregos do Ministério do Trabalho, ele identificou que mais da metade (53%) dos brasileiros com formação superior que conseguiram emprego no ano passado ocuparam postos de menor exigência de escolaridade, como auxiliares de escritório, funcionários de cartórios ou vendedores no comércio.

Para Saboia, é um reflexo da baixa qualidade de muitos cursos universitários. Ele cita como exemplo o alto número de formados em direito que não passam no exame da OAB e acabam empregados em outras áreas.


"Para muitos desses jovens, teria sido melhor fazer um bom curso profissionalizante", diz o economista.


Mesmo com essa quantidade significativa de diplomados em empregos de menor exigência, a Pnad mostra que trabalhadores com nível superior ganham mais que o triplo daqueles que apenas completaram o nível médio.

Paloma Simonetti, 27, formada em jornalismo, diz que seu diploma a ajudou a conseguir um emprego de promotora de vendas num banco. Ela conta que não há exigência de formação universitária para a função, mas quase todos os colegas de trabalho cursam ou concluíram a universidade.

"Não acho que foi perda de tempo ter estudado. A experiência que tive na universidade me ajuda muito hoje. Se tivesse parado no ensino médio, acho que não conseguiria esta vaga", afirma. Fonte: FOLHA.COM

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